Lições do Off-Road: Mais uma lição sobre o que não se deve fazer com um 4x4

Às vezes, a melhor aventura com seu 4x4, é aquela que ensina o que não repetir.

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Existem dias em que a gente sai pra “dar uma voltinha” e volta com um aprendizado que vale mais do que qualquer curso de pilotagem off-road.
Pois é… foi exatamente isso que aconteceu no dia em que a lendária F-75 azul da Sabrina Pignatari decidiu nos dar uma aula prática sobre humildade.

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Era 2004. Eu e o Mazzeo tínhamos acabado de sair de uma reunião em São Paulo e resolvemos dar uma passada num terreno conhecido. Nada radical, nada que pudesse dar errado — pelo menos era o que a gente achava.
A velha F-75, com seu motorzão cheio de moral, parecia pronta pra qualquer coisa. O problema é que a confiança era tanta que esquecemos o básico: água, equipamento e bom senso.

O que pode dar errado aqui?!?!

Foi o que pensamos, mas o off-road tem dessas: ensina justamente quando a gente acha que já sabe tudo.

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Entramos no terreno que era utilizado com pista de motocross achando que seria diversão garantida. Subimos, descemos, testamos o 4x4 e… pronto: a F-75 sentou o chassi no barranco.
Literalmente!
As rodas girando no ar, o carro plantado como uma escultura no meio da terra vermelha, e a gente olhando um pro outro tentando entender como aquilo tinha acontecido.

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Tentamos de tudo: cavar com a mão, calçar com pedras e estepe, pular na caçamba pra ver se balançava, mas nada fazia a caminhonete se mover.
O sol rachando, sem água, sem sombra, e com as orelhas fritando igual mandiopã no óleo quente.
Ali a gente percebeu que a teimosia pesa mais que qualquer lama e aquela F75 pesava mais do que tudo!

Suamos, praguejamos, apelamos para Nossa Senhora da Ribanceira e nada adiantou.

O chassi ficou travado na ponta do barranco, as duas rodas no ar não tracionavam nada!

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Foram mais de três horas de insistência e risadas até que o resgate salvador apareceu.

Tivemos que chamar nosso amigo Ronaldo, que estava trabalhando, ou seja, ele só poderia vir na hora do almoço.
Nos restava esperar, cozinhando ao sol, mas agradecidos por ele poder vir nos ajudar.

Ele chegou com seu Samurai bem equipado, já tirando sarro da nossa cara:
“Vieram brincar de trilha urbana, né?”
“Tô vendo dois jipeiros da NASA precisando de ajuda, é isso?”
“Eu tenho um jipinho aqui, é pequeno, mas pode resolver a vida docês…” — e caiu na risada.

Logo o guincho estava trabalhando, e em poucos minutos saímos daquela enrascada.
“Pois éééé!”, gritou ele, lembrando de uma antiga propaganda da TV brasileira.
Riu, resgatou e riu mais um pouco. Com razão.

No fim, todos demos boas risadas.
Claro que virou motivo pra churrasco no fim de semana, pra ele poder contar pra todo mundo como salvou “os dois patetas” atolados nas pistinhas da Raposo Tavares.

E assim ficou mais uma boa lição: trilha, por mais simples que pareça, exige respeito, preparo e humildade.
Não existe atalho quando o assunto é off-road, e o ego, por melhor que tracione, nunca substitui o básico — água, ferramenta e atenção ao terreno.

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ADRENAOPINIÃO

A trilha da humildade

Aquele dia foi uma aula sobre algo que vale pra vida: quem acha que já sabe tudo, está prestes a aprender do jeito difícil.
No off-road e fora dele, o aprendizado vem quando a gente baixa a bola e encara o erro como parte da jornada.

Mais do que torque, o que move a gente é o companheirismo.
O Ronaldo não só puxou a F-75, ele lembrou o que o ADRENALAMA sempre acreditou: ninguém vai longe sozinho.
Cada resgate é uma história, e cada erro, uma lembrança que rende boas risadas depois.

O off-road ensina a rir dos próprios erros, a não se levar tão a sério e a entender que, no fim, o que mais importa é voltar com boas histórias e novos aprendizados para lembrar e compartilhar.